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27 de Julho de 2021

Até quando vamos aceitar esse tipo de proposta?

Maico Volkmer, Advogado
Publicado por Maico Volkmer
ano passado

O tema é polêmico e contraditório, eu sei. Mas quando vejo propostas assim não tenho como não me indignar.

Vi num grupo de facebook aqui da minha região ontem a tarde.

Sei que muitos vão contra-argumentar dizendo que as pessoas precisam trabalhar e precisam se manter, mas pondero que, se for para trabalhar por esse salário, é melhor abrir o próprio escritório ou atender de forma autônoma, começando por conhecidos e indicações. Até mesmo procurar outra ocupação, em outra área. Desculpem, mas é a dura realidade.

Enquanto aceitarmos ofertas assim a advocacia não será uma classe valorizada.

No mesmo sentido, é quase impossível manter-se dignamente numa cidade como Porto Alegre recebendo esse salário. Para minha cidade, aqui no interior, seria viável, no início, mas numa capital, não tem como.

Meu apelo, por mais que estamos passando por um momento difícil, é para que as pessoas não aceitem esse tipo de oferta, pois é a única forma de impedir que propostas como essa sejam repetidas.

Está difícil arrumar emprego e se sustentar com a advocacia? Acredite, se começar a trabalhar barato a tendência é piorar, independente do cenário econômico.


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99 Comentários

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Senhores o que regula o mercado é a Lei da Oferta e da Demanda. A cada 3 meses há uma oferta
de milhares de advogados sendo lançados no mercado, eu disse Milhares.

Se um advogado fosse disputado por vários escritórios o salário seria de R$ 8000,00 a R$ 15.000,00, Mas com 800 advogados disputando uma vaga, contrata-se por um salário mínimo com facilidade.

Isso é mercado, não há como regulá-lo. Infelizmente as pessoas entram no curso de Direito mirando concursos, mas 95% acabam caindo na advocacia, e sequer sabem quanto ganha um profissional dessa área, pelo contrário eles vêm advogados autônomos que alcançam uma vida razoável, e acreditam que trabalhando como empregados será o mesmo. Não é.

Quando abro uma vaga em meu escritório mal consigo analisar os currículos que chegam pela quantidade. Pior ainda quando ofertamos vaga de estagiário e aparecem centenas de advogados querendo esse posto.

A situação, se continuar com esse número de advogados sendo lançados no mercado é só piorar. continuar lendo

Exatamente, colega! Sem mencionar, é claro, que além do mercado ser totalmente obstruído por essas e outras circunstâncias, cabe dizer aqui que os honorários se baseiam pelo valor que o advogado oferece no mercado, e não simplesmente pela horas trabalhadas por si só. continuar lendo

Não concordo! Não acho que seja tão simples como uma oferta e demanda. continuar lendo

Quer dizer que apenas porque existem 800 advogados para uma vaga o salário tem que ser o que andam oferecendo? É esse tipo de mentalidade que gera esse tipo de vaga. continuar lendo

Há sim como regular. A OAB deveria, além do filtro da famigerada carteirinha, olhar junto com o MEC como vão os cursos. continuar lendo

Exatamente doutor, não há como fugir dessa realidade, ou achar que advogado é algum tipo de profissional especial e distinto de outras carreiras. continuar lendo

Concordo em partes com o Dr., pessoalmente também evito aceitar tais propostas, contudo não podemos crucificar os colegas que aceitam, já presenciei colegas que aceitaram por pura necessidade, filhos pequenos em casa e necessitando da renda.
Acredito que a maior culpa seja da OAB e Sindicatos de classe, que muitas vezes nem ao menos estabelecem um piso salarial e quando estabelecem não fiscalizam seu cumprimento. Pagamos as anuidades mas nunca temos um retorno, somente presenciamos a entidade enriquecendo e favorecendo apenas alguns colegas. continuar lendo

Discordamos, Dr. A meu ver os principais culpados são os que aceitam essas situações. Sei que muitas vezes é por motivos que não são questionáveis, tal qual os mencionados por você, mas se continuarmos aceitando por essa ou por aquela razão, nunca haverá valorização.

Deve ser uma coisa natural - a proposta é ruim, não aceito - e não imposta por um piso salarial ou fiscalização. Minha opinião. continuar lendo

É a lógica do capitalismo: quanto maior a oferta do serviço, menor é o valor de mercado. É injusto? Qual a alternativa? continuar lendo

@andredemessias se todos advogados cobrarem um preço justo pelos serviços, as pessoas se obrigariam a pagar e quem não tem condições se valeria da defensoria pública ou de advogados nomeados pelo estado. É fácil manipular as "leis de mercado"... continuar lendo

Prezado @maicovolkmer ,

Se fosse assim, fácil de manipular as leis de mercado, não existiria a concorrência, que é ínsita, como a qualquer outro tipo de prestação de serviço, na advocacia. É utópico pretender que todos os profissionais tenham a consciência e a determinação de se recusar a trabalhar mediante uma remuneração insuficiente, principalmente os mais jovens, que ainda estão em busca de se firmar na profissão. Bem ou mal, no sistema em que vivemos, tudo que é combinado não é caro, nem barato. continuar lendo

Concordo que os profissionais devem se abster de tais propostas, mas, infelizmente, muitos não podem por pura necessidade. Nem todos saem da faculdade com condições de iniciar seu próprio escritório, outros ficam amarrados de tal forma em firmas, ante o alto volume de trabalho, que não conseguem dedicar tempo para conseguir dar seu pontapé inicial.
Ao contrário do que o colega colocou em outros comentários, ouso discordar que a culpa é de quem oferece as vagas também.
Se os honorários ofertados são vis, a maldade está em quem o oferece ou em que o aceita? Da forma como o ilustre se manifesta, apesar de ser contra tal prática, se for empregar alguém, não haveria problema algum em oferecer tal quantia, pois a culpa não é do empregador. No meu humilde entender, isso é transferir a responsabilidade.
A desvalorização da profissão começa nas duas pontas, porque inicialmente há quem ofereça preço vil e, em seguida, quem o aceita. Mas, normalmente, quem aceita é a parte hipossuficiente na relação. Condenar quem precisa dar um jeito de se sustentar é sempre mais fácil.
A parte mais fraca deveria sim ser melhor amparada pela OAB, que recebe nossas anuidades e não mexe um dedo sequer em prol da sua classe, utilizando a verba para ganhos políticos.
A situação, como tudo na vida, não é tão preto no branco como o nobre colega expõe. No meu ver, aborda só parte do problema, haja vista que as duas pontas precisam ser combatidas, pois ambas são responsáveis, mas devem ser remediadas de acordo com suas causas. continuar lendo

Concordo com sua visão, Raphael! Mas vejo que é mais fácil combater esse problema conscientizando os explorados do que punindo os exploradores. Se trata de todos os advogados, unidos, como deve ser, assumirem a responsabilidade por esse problema. continuar lendo

Já deve ter sido preenchida por algum pós graduado com inglês fluente. continuar lendo

Hahaha! Não duvido, Cesar! continuar lendo

Pior. Verdade. continuar lendo