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5 de Abril de 2020

Marketing de Conteúdo: minhas impressões

Neste artigo pretendo deixar a minha opinião sobre o marketing de conteúdo para advogados.

Maico Volkmer, Advogado
Publicado por Maico Volkmer
há 4 meses


Vejo muitos profissionais do Direito falando sobre isso e definindo como a estratégia mais eficiente para conseguir clientes. Resolvi passar minhas impressões, que não são tão boas quanto as que os outros ilustres colegas passam.

O QUE É MARKETING DE CONTEÚDO?

Antes de qualquer coisa, vou definir o que a meu ver é marketing de conteúdo.

Antigamente toda propaganda buscava uma venda direta e preocupava-se em vender e não em fidelizar o consumidor. Atualmente, em razão de mudança no comportamento humano o marketing direto evoluiu para marketing de relacionamento, baseado em criar uma confiança com o público alvo e garantir que aquela pessoa sempre compre de você ou sempre te contrate para um serviço.

Tal prática é comum para advogados, vez que muitos clientes, após escolherem um profissional, lhe repassam toda e qualquer demanda jurídica que tiverem ou para corretores de imóveis, que vendem sempre para o mesmo investidor ou para alguém que troca de imóvel com mais frequência.

Citei estes exemplos pois são das minhas áreas de atuação e estudo, respectivamente, porém você vai encontrar outros modelos de negócios que procuram sempre manter o consumidor por perto e identificado com os objetivos da organização.

O marketing de conteúdo é uma ramificação do marketing de relacionamento. Ele não visa a venda direta, somente. Busca mais do que isso: fidelizar, manter o cliente conectado com aquela empresa ou com aquele profissional, através da divulgação de conteúdo útil, seja texto, artigo, vídeo, e-mail, etc.

Então, posto o conceito de que trata este artigo, passaremos a análise da sua efetividade e demais pontos que vejo como importantes antes de você "se atirar" nesse tipo de divulgação.

FERRAMENTAS DISPONÍVEIS

É básico que um advogado precisa estar na internet hoje em dia, ou melhor, qualquer profissional liberal, autônomo ou empresa precisa, seja através de perfil no Linkedin, Facebook, Instagram, Twitter, Telegram, YouTube, site próprio ou WhatsApp.

WhatsApp é o mínimo, pois não tem como sobrevier sem manter contato com seus clientes ou sem ter um canal de comunicação aberto pelo WhatsApp. Muitas pessoas usam e você também precisa.

Eu tenho perfil pessoal no Linkedin e company page do escritório, perfil pessoal no Facebook e fan page do escritório, perfil pessoal no Instagram e perfil do escritório, site do escritório, perfil pessoal no JusBrasil, perfil pessoal no Twitter, conta no Telegram e WhatsApp que eu compartilho entre meu pessoal e do escritório.

Só não estou no YouTube ainda e nem farei isso como advogado. Deixarei para usar na minha futura segunda profissão de Corretor de Imóveis. Também não uso anúncios pagos no Google (Google Ads).

Vejam que é uma presença forte na rede, pois você poderá encontrar meu nome e postagens relacionadas a mim em qualquer uma delas.

Qual usar vai depender de você e da sua disponibilidade de tempo para mantê-las atualizadas. Eu não consigo atualizar tanto quanto eu gostaria, mas mesmo assim, não fico uma semana inteira sem postar alguma coisa, exceto no blog do site, que tempos atrás ficou "parado" por mais tempo. Mas não recomendo que você faça isso. Se tem perfil, atualize.

EFETIVIDADE DAS FERRAMENTAS

Primeiro vamos falar sobre o alcance. Este deve ser seu principal objetivo: impactar o maior número possível de pessoas, pois sabemos que, usando a estratégia do "funil de vendas", quanto mais pessoas verem o nosso conteúdo, maiores as chances de ser contratado.

Esqueça Facebook e Instagram, se alcance é o seu objetivo. Instagram, ainda vá lá, o alcance não é tão ruim assim, mas o Facebook é pífio. Tenho fan page e o alcance, de um modo geral, sem nenhuma curtida na publicação se limita a 10% do número de seguidores. Sem compartilhamento próprio ou de terceiros, você não irá bater com alcance sequer o número de pessoas que curtem sua página.

No Instagram as impressões são um pouco maiores, mas ainda é bem difícil gerar engajamento, por que nessa rede, as pessoas querem ver fotos de "ostentação", de viagens, de comida, etc.

Resta o Linkedin, que tem um alcance muito bom e é a rede que mais gera engajamento, entre todas as outras, principalmente em se tratando de tráfego orgânico.

Lembrando que é a minha impressão. No entanto, gerar visualizações, curtidas, engajamento, ainda não é garantia de gerar clientes.

Você precisará que a pessoa que veja seu conteúdo esteja buscando sobre o assunto ou então, se você estiver bem posicionado no Google, pode ser que lhe encontre por um artigo postado há dois ou três anos.

Esse é outro ponto. Na rede social, seu conteúdo tem "validade", ou seja, ele aparece para seu público alvo por um determinado tempo e depois desaparece, ficando acessível somente para quem entra no seu perfil e "fuça" na sua timeline, já no Google é diferente, seu conteúdo vai ser rankeado e você tem boas chances de ser encontrado a medida que mais pessoas forem acessando sua publicação, independendo do tempo.

COMO MEDIR SEUS RESULTADOS?

Este é outro ponto que merece atenção. Todas as redes que eu citei e o site com o Analytics, disponibilizam ferramentas para você medir o seu alcance, sua evolução.

Você pode criar uma rotina de acompanhamento. O Instagram é fantástico nesse ponto, pois você poderá saber qual hashtag é mais procurada, qual o melhor horário para postar, qual cidade e faixa etária do seu público, além de outras funcionalidades. E tudo isso acessível de maneira rápida e sem complicação. Twitter também lhe trará um bom conjunto de informações com apenas um clique.

O Linkedin e o Facebook, não trazem informações tão completas, mas você poderá saber dos seus resultados e direcionar suas ações nas redes sociais a partir disso.

Dá um pouco de trabalho analisar, sintetizar e definir estratégias, mas aí cada um deve montar sua dinâmica a partir das possibilidades. Ver se vale a pena o custo-benefício de tempo vs. retorno.

TRÁFEGO ORGÂNICO E PAGO

Outra coisa que você precisa saber é sobre o tráfego orgânico, que é aquele gratuito, que você não paga nada para que seu conteúdo seja distribuído.

Falei acima sobre o alcance baixo do Instagram e do Facebook, só que isso muda drasticamente quando você impulsiona algum conteúdo.

Eu já patrocinei posts da minha página e o alcance foi muito bom, mas ainda assim, não foi capaz de gerar clientes diretos, exceto alguns contatos por Messenger.

Twitter também tem um bom alcance orgânico, mas o conteúdo permanece "válido" por menos tempo do que no Linkedin, por exemplo.

Porém, vale analisar a alternativa. Vi uma pesquisa recente, que demonstrou que a rede mais usada no Brasil, para minha surpresa e creio que para muitos, não é o Facebook ou o Instagram ou o WhatsApp, é o YouTube.

Talvez esteja lá, por meio de vídeos, a sua chance de impactar mais pessoas de forma orgânica, ou seja, gratuita, sem precisar pagar por divulgação.

VALE A PENA?

Mais um ponto é sobre existirem perfis nestas redes que conseguem resultados. Tenho que frisar que isso é realidade, mas é minoria.

Assim como tudo na vida. Existem jogadores de futebol que recebem uma fortuna de salário por mês, mas a grande maioria não chega a salários nem de cinco dígitos. Existem youtubers que ganham fortunas por mês, mas existem canais que sequer monetizam.

Eu acredito no marketing de conteúdo a longo prazo, mas se você ficar tentando viver só disso, principalmente no início, você não conseguirá. Os resultados demoram a aparecer. Ou você acha que os youtubers de sucesso conseguiram milhões de seguidores depois de postar um único vídeo?

Conselho de quem tentou por seis meses e no meio do processo conseguiu descobrir outros meios de impactar possíveis clientes. Você também vai descobrir. Ah, lembre-se do código de ética antes de montar qualquer estratégia.

A meu ver, site vale a pena e você vai precisar. Imagina que um cliente encontra você numa postagem de uma rede social. Ele vai procurar referências suas aonde? No Google, provavelmente.

Se você tiver um site, há grandes chances dele ser levado direto a ele e criar uma conexão e lhe ver como autoridade no assunto. O site é seu escritório na internet.

Depois disso eu recomendo, para negócios, o Linkedin e o Twitter. Claro, se você tem conteúdo para Instagram, vale a pena também.

O Facebook, infelizmente, vai ficar por último na lista de relevância, mas como eu disse, se você consegue manter atualizado, lembre-se que sobre visibilidade na rede quanto mais, melhor.


Quer trocar uma idéia sobre o assunto? Me chama no telegram.

4 Comentários

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Parabéns pelo artigo, amado!

Muito Bom!

Rogério Silva continuar lendo

Grato pelo feedback, Rogério! continuar lendo

Acho que foi o artigo mais honesto sobre marketing que li até hoje! Parabéns por isso, vejo muitos "gurus" dizendo que o alcance vai ser enorme e vai gerar muitos clientes, mas você optou por dizer a verdade e tem meu respeito por isso. continuar lendo

Obrigado pelo feedback, Alice! Sim, passei por isso no início da minha carreira, acreditei que era só ter um site, postar alguns artigos e "choveriam" clientes, mas não é assim. Então resolvi compartilhar minhas impressões. Funciona? Sim. Mas dá muito mais trabalho e leva muito mais tempo do que os "gurus" dizem... continuar lendo